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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Todos na Zona Franca

            
  


Rodrigo Araújo, Ana Maria Rebouças (curadora interdisciplinar CCSP), Maurício de Oliveira, Marcos Azevedo, Beto Mattos, Ricardo Carioba na fogueira das verdades.


 

Na arquibancada, acima, Fábíola Salles (Grupo de Reflexão Interdisciplinar), Fernando Oliva (diretor da Divisão de Curadoria e Programação CCSP); abaixo, Maria Olímpia Vassão, Francisco Coellho, Alexandra Itacarambi, Sebastião Milaré, curadores de artes plásticas, música, dança e teatro, respectivamente.



Sebastião Milaré falou: A coisa mais importante é o processo. Houve um psicodrama? Então vamos ver se no próximo a gente consegue chegar ao nível da discussão sobre os conteúdos e sobre as consequencias de um projeto como esse, porque com isso estaríamos ajudando muito a continuidade desse projeto.

Fotos: Sônia Parma (1, 2, 19, 20)
Imagens vídeo: equipe CCSP

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

heterotopia interna

O que sou neste instante? Sou uma máquina de escrever fazendo ecoar as teclas secas na úmida e escura madrugada. Há muito já não sou gente. Quiseram que eu fosse um objeto. Sou um objeto. Objeto sujo de sangue. Sou um objeto que cria outros objetos e a máquina cria a nós todos. Ela exige. O mecanismo exige e exige a minha vida. Mas eu não obedeço totalmente: se tenho que ser um objeto, que seja um objeto que grita. Há uma coisa dentro de mim que dói. Ah como dói e como grita pedindo socorro. Mas faltam lágrimas na máquina que sou. Sou um objeto sem destino. Sou um objeto nas mãos de quem? tal é o meu destino humano. O que me salva é o grito. Eu protesto em nome do que está dentro do objeto atrás do atrás do pensamento-sentimento. Sou um objeto urgente. (Clarice Lispector, Água-Viva).

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Percepção do espaço

O Espaço GAG e Cia. Phila 7 trazem o conceito de heterotopia para pensarmos esse espaço que estamos criando com o projeto Zona de Risco. Seguem abaixo trechos do texto de Michel Foucault:

Existem países, cidades, continentes, planetas, universos “sem lugar”, os quais seria impossível encontrar num mapa, e histórias sem cronologia. Esses lugares, esses tempos, nascem na cabeça dos homens, nas suas narrativas, nos seus sonhos, no vazio de seus corações. São a doçura das utopias. Mas eu acredito que existem em todas as sociedades algumas utopias que ocupam um lugar real, um lugar que podemos situar num mapa, que têm um tempo determinado, um tempo que podemos fixar e medir segundo o calendário de todos os dias. É bem provável que cada grupo humano recorta no espaço onde está lugares utópicos e recorta no tempo momentos “ucronicos”. O que quero dizer é que nós não vivemos num espaço e num tempo neutro e branco. Não vivemos, não morremos, não amamos no retângulo de uma folha de papel. Vivemos, morremos, amamos num espaço esquadrinhado, recortado, desenhado, com zonas claras e escuras, com diferenças de níveis, com escadas, portas, penetráveis e impenetráveis.

Mais trechos AQUI.
Imagem: Ricardo Carioba
Arte: Adriane Bertini