quarta-feira, 2 de setembro de 2009

workshop

Mauricio de Oliveira & Siameses O workshop será de duas horas e será dividido em três partes: - aquecimento: faremos um preparação com a introdução de exercícios relacionados a Yoga ( Iyengar Yoga); - após aquecimento é ensinada uma frase coreográfica referente a um dos trabalhos da companhia; - no bloco final, utilizamos técnicas de improvisação, sendo que, de uma forma bastante específica, o participante utilizará , durante a improvisação, a gama de movimentos oferecidas na frase coreográfica. A idéia é a de despertar a imaginação do participante propondo, antes de mais nada, a organização do raciocínio e conseqüente exposição da sua forma de pensar e condensar no corpo um movimento que reflita imediatamente sua coerência, como se pudéssemos acompanhar o pensar de artista durante sua elaboração mental. Assim, questionamos durante todo o processo, o conceito de transparência e verdade na manifestação da fala do corpo.
Inscrições e envio de currículo: cia.meses@hotmail.com.br

domingo, 30 de agosto de 2009

Hibridismo

Entre o que existe, o que está por existir? entre várias formas, uma terceira forma? Elas se criam por fusão ou justaposição? Alimentam-se umas às outras, tornam-se orgânicas ou negociam diferenças ao serem colocadas em relação?
Por enquanto, experimentamos:
bailarinos dançam textos interpretados por atores que atuam com a musicalidade criada na hora a partir de instrumentos virtuais. As linguagens se contrapõem, se entrosam, se chocam: algo aos poucos vai se modificando entre as duas partituras já prontas: a coreografia inspirada em Água Viva, de Clarice Lispector, a peça teatral inspirada em Esperando Godot, de Samuel Beckett. Justaposição? Tradução? Combinação? Por enquanto as fronteiras se mantêm, mas tocam-se, seduzem-se, tornando-se cada vez mais porosas, sensíveis, permeáveis.
Foto: Ana Maria Rebouças - Esfinge/ Museu do Vaticano

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Interações, interferências e transformações

Ensaio 28 de agosto
Fotos: Sônia Parma

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

heterotopia interna

O que sou neste instante? Sou uma máquina de escrever fazendo ecoar as teclas secas na úmida e escura madrugada. Há muito já não sou gente. Quiseram que eu fosse um objeto. Sou um objeto. Objeto sujo de sangue. Sou um objeto que cria outros objetos e a máquina cria a nós todos. Ela exige. O mecanismo exige e exige a minha vida. Mas eu não obedeço totalmente: se tenho que ser um objeto, que seja um objeto que grita. Há uma coisa dentro de mim que dói. Ah como dói e como grita pedindo socorro. Mas faltam lágrimas na máquina que sou. Sou um objeto sem destino. Sou um objeto nas mãos de quem? tal é o meu destino humano. O que me salva é o grito. Eu protesto em nome do que está dentro do objeto atrás do atrás do pensamento-sentimento. Sou um objeto urgente. (Clarice Lispector, Água-Viva).

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Percepção do espaço

O Espaço GAG e Cia. Phila 7 trazem o conceito de heterotopia para pensarmos esse espaço que estamos criando com o projeto Zona de Risco. Seguem abaixo trechos do texto de Michel Foucault:

Existem países, cidades, continentes, planetas, universos “sem lugar”, os quais seria impossível encontrar num mapa, e histórias sem cronologia. Esses lugares, esses tempos, nascem na cabeça dos homens, nas suas narrativas, nos seus sonhos, no vazio de seus corações. São a doçura das utopias. Mas eu acredito que existem em todas as sociedades algumas utopias que ocupam um lugar real, um lugar que podemos situar num mapa, que têm um tempo determinado, um tempo que podemos fixar e medir segundo o calendário de todos os dias. É bem provável que cada grupo humano recorta no espaço onde está lugares utópicos e recorta no tempo momentos “ucronicos”. O que quero dizer é que nós não vivemos num espaço e num tempo neutro e branco. Não vivemos, não morremos, não amamos no retângulo de uma folha de papel. Vivemos, morremos, amamos num espaço esquadrinhado, recortado, desenhado, com zonas claras e escuras, com diferenças de níveis, com escadas, portas, penetráveis e impenetráveis.

Mais trechos AQUI.
Imagem: Ricardo Carioba
Arte: Adriane Bertini

Pergunta insistente: "E o tema?"

Um instante me leva insensivelmente a outro e o tema atemático vai se desenrolando sem plano mas geométrico como as figuras sucessivas num caleidoscópio (Clarice Lispector, Água Viva)

Vamos levantando questões sobre cada proposta e selecionando procedimentos que possam colaborar para a criação conjunta, gerando novas contaminações e desdobramentos. No momento, parece que a discussão está mais voltada para a definição de um conceito que possa conter as idéias de todos os grupos e suas propostas. A questão do conteúdo, do tema, vai se dando aos poucos, conforme vamos entrando em contato e discutindo aspectos de cada trabalho.

Processos criativos

Cada trabalho traz um conteúdo, um tema, uma forma.
Quais recursos utilizam? Como relacioná-los?
Várias possibilidades foram levantadas para a sessão de abertura no dia 5 de setembro: - seleção, combinação, colagem: um roteiro que selecione e combine trechos dos quatro trabalhos, acionando as instalações alternadamente ou simultaneamente (pode-se partir do acaso e da imprevisibilidade ou do estudo de cada proposta, procurando criar uma dramaturgia híbrida); - tradução, recriação: a partir do contato com cada proposta, criar expressões inspiradas nelas. Músicos, bailarinos e atores podem criar partituras que dialoguem com um trabalho a ser escolhido, expressando leituras interlinguísticas. - diálogo, intervenção, interação – cada grupo, ou alguns membros de um grupo, ou um grupo interdisciplinar formado entre os participantes, faz uma intervenção artística em outros trabalhos instalados no espaço. A sessão seria composta por trocas performáticas entre artistas e cenários. - happening – um ENCONTRO entre grupos que querem simplesmente trocar experiências e compartilhá-las com amigos, com quem trabalha ou freqüenta o Centro Cultural São Paulo e com outras tribos. No porão, podemos fazer uma festa com música, dança, performance, projeção de imagens e conversa com quem estiver presente. Em ENCONTRO entre quatro diferentes grupos contaminando-se e contaminando o espaço com as vibrações de suas vozes, corpos, instrumentos, estimulando os sentidos. Poderia ser um bom começo para abrir a temporada com um evento descontraído e descompromissado. Quatro grupos, quatro propostas, quatro linguagens artísticas se relacionando informalmente. - Dissolução de fronteiras, hibridização – Rubens Velloso, diretor da Cia. Phila 7, propõe pensar num “espaço heterotópico” que contém muitos espaços. Nessa dimensão espaço-temporal que se pretende criar, não há mais como pensar em linguagens específicas como dança, teatro, música, artes plásticas. O que pautaria o processo seriam corpo, imagem, texto e o funcionamento de cada sistema no conjunto da apresentação, em um espaço expandido. É uma proposta a ser desenvolvida e se aprofundará ao longo de toda a temporada.