Fotos: AMR
sábado, 12 de setembro de 2009
Temos roteiro
Ricardo Carioba, Rodrigo Araújo, Geandre Tomazoni e Mirella Brandi discutem o desenho do roteiro criado colaborativamente, que marca pontos de atuação dos atores e bailarinos e entradas de música, imagem e luz no percurso da apresentação.
na zona de risco:
criação colaborativa,
espaço,
roteiro,
tempo
Habemus thema: fronteiras
Por sugestão do Rodrigo (BijaRi), adotamos o tema fronteiras. Não vamos ficar presos aos trabalhos apresentados por cada grupo até agora, mas como levantamos algumas questões durante nossos encontros, registro as que me vêm à memória e acrescento outras que me surgem agora.
Entropicália: Amplificada e Remixada - a partir da ruptura representada pela implementação do AI-5, Entropicália faz uma síntese de acontecimentos políticos, culturais e artísticos numa colagem que sobrepõe camadas de tempo e espaço de 1968 à atualidade. Propõe, em sua forma, o trânsito entre dois momentos da história recente do país, retomando procedimentos criativos usados no tropicalismo e atualizando-os: fragmentação, colagem, antropofagia, estrutura não-linear, associando tempos e espaços sem ordem cronológica ou narrativa, mas segundo uma intenção poética. No tropicalismo, também já havia uma tendência à dissolução de fronteiras entre as artes e ao intercâmbio entre culturas distantes e distintas.
Olhar Oblíquo - fronteiras entre a realidade visível e a percepção aguda e momentânea do que está por trás dela; entre o concreto e o abstrato; entre o tempo interno e externo; entre a intenção e o gesto; entre o sentir, o pensar e o agir; corpos que se compõem com outros corpos em constante mutação, alternando movimentos individuais e coletivos em momentos que se concentram e em outros que se espalham pelo espaço. Uma forma que propõe a interação do ser integral (mente/corpo) com o espaço e o tempo.
Lispector - tradução musical do instante-já que se produz continuamente, no devir do pensamento e das sensações; uma abertura que dissolve fronteiras de tempo e espaço, vibrando no espaço, nos corpos individuais e também coletivamente. Uma experiência de imersão numa sonoridade que abre caminhos no sistema nervoso (!?). Saí do show (!?) um pouco sem chão (talvez por falta de referências), mas com a impressão de que a música produz reflexos na forma como nos sentimos, pensamos e nos comportamos.
Wetudo - Desesperando Godot - Vladimir e Estragon, ao saírem do limbo e irem de encontro ao resto da humanidade, atravessam várias fronteiras: entre a inação e a ação, entre o aqui e o algures, entre a presença real e virtual, entre o indivídual e o coletivo, questionando a vida rotineira e sem sentido das pessoas que esperam indefinidamente por Godot.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Wetudo - Desesperando Godot: dias 11, 18 e 25 de setembro
Imagens vídeo
V - Sabia que em algum momento chegaríamos.
S - Onde?
V - Aonde chegaremos.
S - Quando?
V - Quando estivermos aqui e lá.
S - Ao mesmo tempo?
V - Ao mesmo tempo.
Juntos - ao mesmo tempo.
(pausa)
V - A noite está linda. Todos podem ver a lua, se quiserem.
S - Não precisa pedir permissão.
V - É uma conquista.
S - É o que persiste
V - Apesar de nós
S - Vamos caminhar um pouco.
V - Até a beira do precipício. Lá não estaremos sós.
S - Já que não conseguimos ficar quietos
V - E depois, outra vez o dia.
(Pausa.)
S - O que faremos, o que faremos?
V - Vamos salvar tudo, de tempos em tempos, por precaução. Finalmente seremos salvos...
S - E quem salva a gente? Estou de saco cheio das mesmas respostas.
V - Pensa. Todo mundo que pensa... Que pensa que é parecido com a gente.
S - O que temos que fazer então?
S - Nós temos tudo a fazer!
(silêncio)
V - Vamos precisar de botas novas...
(Saem)
Final do texto teatral Wetudo - Desesperando Godot, de Rubens Velloso, Beto Matos e Marcos Azevedo, a partir de Esperando Godot, de Samuel Beckett. A peça resgata Vladimir e Estragon do universo beckettiano com uma leitura brechtiana: Vladimir e Estragon resolvem sair da inação, ir de encontro à humanidade, dispostos a agir mesmo que não saibam exatamente como, mas acreditando na potência do conceito de heterotopia.
Fotos: Sônia Parma
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Lispector: dias 10, 17 e 24 de setembro
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Olhar Oblíquo: dias 09, 16 e 23 de setembro
Como te explicar? Vou tentar. É que estou percebendo uma realidade enviesada. Vista por um corte oblíquo. Só agora pressenti o obliquo da vida. Antes só via através de cortes retos e paralelos. Não percebia o sonso traço enviesado. Agora adivinho que a vida é outra. Que viver não é só desenrolar sentimentos grossos - é algo mais sortilégico e mais grácil, sem por isso perder o seu fino vigor animal. Sobre essa vida insolitamente enviesada tenho posto minha pata que pesa, fazendo assim com que a existência feneça no que tem de oblíquo e fortuito e no entanto ao mesmo tempo sutilmente fatal. Compreendi a fatalidade do acaso e não existe nisso contradição. (Clarice Lispector, Água Viva)
Foto: Wiliam Aguiar
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Entropicália: remixada e amplificada - dias 08, 15 e 22/09
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Grand? finale (mas é só o começo!)
Flashes dos dez minutos finais de improvisação na estréia do projeto Zona de Risco – O público em pé, entre as cenas e as instalações cenográficas; bandeiras laranja-avermelhadas presas nos objetos de cena e nas mesas de luz e som; palavras comuns tiradas de textos de Beckett, Hélio Oiticica e Clarice Lispector projetadas pelo espaço; bailarinos dançando em frente às chacretes fake que apareceram na tela da televisão; outros esculpindo cenas coletivas com seus corpos que cristalizavam-se por alguns momentos em esculturas humanas; a música vibrando nos corpos; Vladimir e Estragon, recém-saídos do ambiente absurdo de Esperando Godot andam no meio do caos empunhando uma bandeira branca e quase gritando: tudo a fazer! Depois da estréia, já tomando uma cerveja no famoso Limoeiro em frente ao CCSP, o jogo Brasil x Argentina rolava na tela: conseguimos a vaga! E vamos continuar.Fotos: João Mussolin - 05/05/2009
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