segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Luiz Fuganti, sobre fronteiras









Discussão entre coletivos, com participação do BijaRi, no atelielatintota, 2 de junho de 2008.

Postado a pedido: Gostaria de postar esses videos ou links no blog. não sei se coloca o link (http://) ou aparece o próprio vídeo com o "object". beilos, carioba.

domingo, 20 de setembro de 2009

Zona de atrito

Releio agora o post anterior, escrito no embalo da apresentação do dia 12 de setembro. O que aconteceu na apresentação de ontem? O duelo do som com a dança – os corpos dos bailarinos exasperando-se com a falta da música que se negava a entrar. Músicos numa imobilidade eloquente e bailarinos numa dança muda entregaram-se ao silêncio expectante da platéia, até que o som invadiu a cena num volume ensurdecedor. E as afirmações escritas no post anterior entraram em colapso. Reescrevo-o: mais do que tolerar as diferenças, o conjunto as enfrenta e ataca (ou defende?) as fronteiras.



domingo, 13 de setembro de 2009

Negociação da diferença

Distintas propostas, processos e visões encontram pontos de convergência e divergência. Na maioria das vezes, as opções do outro são respeitadas e encaixadas no projeto comum de criação e apresentação de um trabalho artístico que inclui e convive com a diferença. Mais do que tolerar, o conjunto se alimenta e se enriquece com o intercâmbio e o diálogo aberto nas fronteiras.








Apresentação ZR dia 12 de setembro
Fotos: Carlos Rennó

sábado, 12 de setembro de 2009

Temos roteiro





Ricardo Carioba, Rodrigo Araújo, Geandre Tomazoni e Mirella Brandi discutem o desenho do roteiro criado colaborativamente, que marca pontos de atuação dos atores e bailarinos e entradas de música, imagem e luz no percurso da apresentação.
Fotos: AMR

Habemus thema: fronteiras

Por sugestão do Rodrigo (BijaRi), adotamos o tema fronteiras. Não vamos ficar presos aos trabalhos apresentados por cada grupo até agora, mas como levantamos algumas questões durante nossos encontros, registro as que me vêm à memória e acrescento outras que me surgem agora.
Entropicália: Amplificada e Remixada - a partir da ruptura representada pela implementação do AI-5, Entropicália faz uma síntese de acontecimentos políticos, culturais e artísticos numa colagem que sobrepõe camadas de tempo e espaço de 1968 à atualidade. Propõe, em sua forma, o trânsito  entre dois momentos da história recente do país, retomando procedimentos criativos usados no tropicalismo e atualizando-os: fragmentação, colagem, antropofagia, estrutura não-linear, associando tempos e espaços sem ordem cronológica ou narrativa, mas segundo uma intenção poética. No tropicalismo, também já havia uma tendência à dissolução de fronteiras entre as artes e ao intercâmbio entre culturas distantes e distintas.
Olhar Oblíquo - fronteiras entre a realidade visível e a percepção aguda e momentânea do que está por trás dela; entre o concreto e o abstrato; entre o tempo interno e externo; entre a intenção e o gesto; entre o sentir, o pensar e o agir; corpos que se compõem com outros corpos em constante mutação, alternando movimentos individuais e coletivos em momentos que se concentram e em outros que se espalham pelo espaço. Uma forma que propõe a interação do ser integral (mente/corpo) com o espaço e o tempo.
Lispector - tradução musical do instante-já que se produz continuamente, no devir do pensamento e das sensações; uma abertura que dissolve fronteiras de tempo e espaço, vibrando no espaço, nos corpos individuais e também coletivamente. Uma experiência de imersão numa sonoridade que abre caminhos no sistema nervoso (!?). Saí do show (!?) um pouco sem chão (talvez por falta de referências), mas com a impressão de que a música produz reflexos na forma como nos sentimos, pensamos e nos comportamos.
Wetudo - Desesperando Godot - Vladimir e Estragon, ao saírem do limbo e irem de encontro ao resto da humanidade, atravessam várias fronteiras: entre a inação e a ação, entre o aqui e o algures, entre a presença real e virtual, entre o indivídual e o coletivo, questionando a vida rotineira e sem sentido das pessoas que esperam indefinidamente por Godot.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Wetudo - Desesperando Godot: dias 11, 18 e 25 de setembro





Imagens vídeo

V - Sabia que em algum momento chegaríamos.
S - Onde?
V - Aonde chegaremos.
S - Quando?
V - Quando estivermos aqui e lá.
S - Ao mesmo tempo?
V - Ao mesmo tempo.
Juntos - ao mesmo tempo.
(pausa)
V - A noite está linda. Todos podem ver a lua, se quiserem.
S - Não precisa pedir permissão.
V - É uma conquista.
S - É o que persiste
V - Apesar de nós
S - Vamos caminhar um pouco.
V - Até a beira do precipício. Lá não estaremos sós.
S - Já que não conseguimos ficar quietos
V - E depois, outra vez o dia.
(Pausa.)
S - O que faremos, o que faremos?
V - Vamos salvar tudo, de tempos em tempos, por precaução. Finalmente seremos salvos...
S - E quem salva a gente? Estou de saco cheio das mesmas respostas.
V - Pensa. Todo mundo que pensa... Que pensa que é parecido com a gente.
S - O que temos que fazer então?
S - Nós temos tudo a fazer!
(silêncio)
V - Vamos precisar de botas novas...
(Saem)

Final do texto teatral Wetudo - Desesperando Godot, de Rubens Velloso, Beto Matos e Marcos Azevedo, a partir de Esperando Godot, de Samuel Beckett. A peça resgata Vladimir e Estragon do universo beckettiano com uma leitura brechtiana: Vladimir e Estragon resolvem sair da inação, ir de encontro à humanidade, dispostos a agir mesmo que não saibam exatamente como, mas acreditando na potência do conceito de heterotopia.





Fotos: Sônia Parma







quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Lispector: dias 10, 17 e 24 de setembro

Sei que depois de me leres é difícil reproduzir de ouvido a minha música, não é possível cantá-la sem tê-la decorado. E como decorar uma coisa que não tem história? Mas te lembrarás de alguma coisa que também esta aconteceu na sombra. (Clarice Lispector, Água Viva).
















Fotos: Sônia Parma